segunda-feira, 29 de setembro de 2008

sobre nós

A todos os integrantes (ou ex-integrantes) no projeto Teatro Vocacional do espaço O Lugar (um nó que tentamos sempre manter atado, mesmo que mudando a formação)

Os nós aparecem em muitos momentos de nossas vidas. podemos desatá-los, apertá-los, afrouxá-los, unirmo-nos a ele simbioticamente.
As escolhas são nossas. as conseqüências repercutem em todos...
Principalmente quando decidimos participar de um nó coletivo - Nós - um grupo de teatro.
Nós sentimos as ausências, os sumiços e desaparecimentos inexplicados.
Nós nos preocupamos com esses que não aparecem mais... mas que deixaram seus rastros em nosso processo de criação.
Nós continuamos mesmo sem esses e procuramos construir um trabalho lindo, que toque e faça refletir sobre esses elos (nós) de nossas vidas. A arte é redentora!

Se você decidiu afrouxar o nó que nos unia como um grupo - fale com os outros integrantes no Nó-grupo. Não suma sem avisar pensando que seu rastro não nos afeta... O Nó continuará a existir, vivo, criativo, atuante, artístico.

Pensamentos de quem sente falta dos pontos finais.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Turma de Sábado - O diagrama



A Sandra terminou o diagrama. Dêem uma olhada. Reflitam. Modifiquem.




quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Olá

Me chamo Vitor, iniciei no último domingo!

Marcadores: , ,

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Algumas perguntas e textos.

Devo adiantar que essas dúvidas e poucas divagações,
foram geradas no decorrer do processo,
logo não se concentram na apresentação da cena.
Algumas dessas questões já foram discutidas
no dia 24/08.
Os textos complementam a idéia central.

O que é o olhar da criança ?

Quando e porque a criança abandona a caixa de brinquedos

e o adulto faz uso da caixa de ferramentas?

O que é um adulto que faz uso da caixa de brinquedos?

Qual era a função do palhaço na cena?

Qual o conflito central da cena?

Quem não enxerga com a alma, enxerga?

Na cena, o que caracteriza uma pessoa "cinza" e outra "colorida"?

As pessoas já nascem desbotadas?

O mundo produz pessoas para serem livres?

Ele está preparando e preparado para ter pessoas livres?

Textos:

A Experiência. 
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o enchiam de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, tendo sido rapidamente retirado pelos outros, que o esmurraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo desistiu de subir a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: - Não sei... as coisas sempre foram assim por aqui...

A maioria da gente enferma.
A maioria da gente enferma de não saber dizer o que vê
e o que pensa. Dizem que não há nada mais difícil do que
definir em palavras uma espiral: é preciso, dizem, fazer no
ar, com a mão sem literatura,o gesto, ascendentemente
enrolado em ordem, com que aquela figura abstrata das
molas ou de certas escadas se manifesta aos olhos. Mas,
desde que nos lembremos que dizer é renovar, definiremos
sem dificuldade uma espiral: é um círculo que sobe sem
nunca conseguir acabar-se. A maioria da gente, sei bem,
não ousaria definir assim, porque supõe que definir é
dizer o que os outros querem que se diga, que não o
que é preciso dizer para definir. Direi melhor: uma espiral
é círculo virtual que se desdobra a subir sem nunca
se realizar. Mas não, a definição ainda é abstrata .
Buscarei o concreto , e tudo será visto: uma espiral
é uma cobra sem cobra enroscada verticalmente em
coisa nenhuma.
Toda a literatura consiste num esforço em tornar a vida real.
Como todos sabem, ainda quando agem sem saber, a vida é
absolutamente irreal, na sua realidade direta;os campos,
as cidades, as idéias ,são coisas absolutamente fictícias,
filhas da nossa complexa sensação de nós mesmos.
São intransmissíveis todas as impressões salvo se as
tornarmos literárias. As crianças são muito literárias
porque dizem como sentem e não como deve sentir
quem sente segundo outra pessoa. Uma criança, que
uma vez ouvi, disse, querendo dizer que estava à beira
de chorar, não "tenho vontade de chorar", que é como
diria um adulto, isto é, um estúpido, senão isto:
Tenho vontade de lágrimas". E esta frase , absolutamente
literária, a ponto de que seria afetada num poeta célebre,
se ele a pudesse dizer, refere resolutamente a presença
quente das lágrimas a romper das pálpebras conscientes
da amargura líquida."Tenho vontade de lágrimas"!
Aquela criança pequena definiu bem sua espiral.
Dizer! Saber dizer! Saber existir pela voz escrita e a
imagem intelectual! Tudo isso é quando a vida vale:
o mais é homens e mulheres, amores supostos e
vaidade fictícias, subterfúgio da digestão e do esquecimento,
gentes remexendo-se,como bichos quando
se levanta uma pedra, sob o grande pedregulho abstrato
do céu azul sem sentido.
Fernando Pessoa - Bernardo Soares.